Histórias de Moradores de Assis

Esta página em parceria com o Museu da Pessoa é dedicada a compartilhar o acervo de vídeos e histórias com depoimentos dos moradores.

História da Moradora: Viviani Cristina Oliveira de Souza
Local: Assis
Ano: 18/03/2016






Vídeo: Uma vida repleta de histórias


Sinopse:

Viviani Cristina Oliveira de Souza, nascida no dia 24 de março de 1975 na cidade de Assis, São Paulo, inicia a sua história de vida falando um pouco de sua família e sobre como seus pais deram uma volta por esse Brasil até se encontrarem e conhecerem em Ribeirão Preto (SP). Filha de uma médico e uma Assistente Social, Viviani fala de seus irmãs mais velhos e da perda de sua mãe quando ainda eram muito jovens. Conta como foi importante para o seu pai casar-se novamente com uma pessoa que se dedicou por inteira a cuidar da família. Narra a emoção de ter tido uma irmãzinha e as peripécias e molecagens sua e de seu irmão, os dois brincavam sempre juntos na rua. Após concluir o Ensino Médio, foi intercambista pelo AFS na Austrália e sua experiência foi muito rica e construtiva. Ao retornar, Viviani estudou Letras e seguiu carreira de professora. É voluntária, dá aulas de português, inglês e adora passear com os intercambistas. Viviani também leva os intercambistas para palestrarem em escolas públicas e já foi mãe hospedeira. É casada e tem uma filha que também quer fazer intercâmbio.

História:

Meu nome é Viviani Cristina Oliveira de Souza. Eu nasci dia 24 de março de 1975 na cidade de Assis, São Paulo. O nome do meu pai é Carlos Pimenta de Souza e o da minha mãe é Valdemira de Oliveira de Souza.

A minha casa era cheia de gente porque antes da minha mãe ficar doente, ela trabalhava na APAE – Associação dos Pais e Amigos das Crianças com Síndrome de Down, nos finais de semana sempre tinha uma família com uma criança especial lá em casa para brincar. A gente vivia em contato com a natureza, a nossa infância era muito voltada para a natureza. E em Assis (SP), nós três [Viviani e os dois irmão mais velhos] estudamos numa escola que tem até hoje, minhas sobrinhas estudam lá, é um sítio. Tem o sistema de ensino especifico, só que é um sítio.

Quando a gente morava na Amador Bueno era mais no centro, na Santa Cecília lá de Assis, era mais urbano e tinha uma praça e nessa praça, o meu irmão foi sempre muito companheiro meu de infância, eu só brincava com o que ele podia brincar.

Minha mãe ela faleceu em 83 [1983], foi difícil, mas com a gente vendo ela sofrer três anos, cega, surda, muda, tetraplégica, o que o câncer de cabeça faz, descansou. Ver o meu pai triste... Eu pensei: “Ele tem que ser feliz, porque ela foi embora”. Ainda bem que ele encontrou uma pessoa que ama ele, porque senão, o quê que faz a solidão? A tristeza? Ainda bem que ele conheceu a Mara e a Paula nasceu e eu brinquei de boneca com a Paula. A Paula foi minha boneca.

Minha irmã foi [fazer intercâmbio pelo AFS] em 90/91 [1990/1991] para os Estados Unidos. Em 91, no que ela foi, a gente recebeu a Karen da Nova Zelândia. Meus pais escolheram receber, se a gente está querendo que uma família hospede a nossa filha, a gente vai querer hospedar a Karen da Nova Zelândia, descendente de chineses, ficou um ano na minha casa, ela dormia na cama da minha irmã e ela ficou lá um ano. A Vanessa [irmã] voltou e depois em 92 [1992] a Mahaika veio. Alemã, despojada, imatura... [E] eu fui para a Austrália em janeiro de 93 [1993].

[Eu mudei de família] [queria] uma experiência real, eu pedi para mudar e eu até mudei de lado do rio, eu fui de um lado do rio de Brisbane para outro. Eu mudei de bairro, fui morar na casa da Merlin, Merlin White. Lá na primeira família eles tinham três Mercedes, mansão. Lá, era uma casa comum, um carro na garagem, pagar as contas, era uma típica família australiana. A mãe era sozinha, era recepcionista de uma imobiliária, uma graça de pessoa, os filhos ajudavam ela na casa, não tinha empregada, lavavam o que tinha. Eu queria viver essa realidade. Me falaram: “Mas você vai perder avião, vai perder viagem” “Não interessa, eu quero viver”. Eu fui para essa casa e foi muito bom, ela é minha amiga até hoje, a minha mãe, meus irmãos são meus amigos, a gente conversa até hoje.

Ano retrasado, eu passei no concurso da prefeitura como professora de inglês e quando eu ficava sabendo que tinha intercambiário de qualquer país, eu perguntava: “Ele pode ir lá na Escola do Fundamental e falar sobre o país? Ele pode?” “Claro que pode”, ele ia na escola que eu dava aula e eu sempre, de 2008 a 2011, só dei aula em periferia, então estrangeiro lá, estudante, quase nunca vai. Eu combinava com o estudante e ele preparava um datashow, um power point com música, eu falava assim: “Fale do seu país e da sua cultura para crianças carentes, você vai ter que explicar muito bem, vai ter que explicar no mapa, vai ter que ser bem didático. Fala sobre o que você acha importante do seu país, da sua cultura” “Quantas crianças?” “300”, porque elas iam no pátio e ele apresentava. E assim, as crianças mudavam o conceito, a visão de mundo, mudavam.

Eu falo que eu gosto de ser voluntária do AFS, agora papelada, eu não gosto, documentos não. Me fala que eu tenho que levar o estudante intercambiário no Museu do Índio lá em Tupã, eu levo. [...] Eu gosto da prática que o AFS proporciona, essa convivência com a cultura do outro na prática e a gente poder se doar um pouco, é proporcionar um dia legal. Menina, olha, a última vez [eu fiz com um grupo de intercambistas], acho que foi em agosto. Eu marquei com eles num sábado, a gente foi no Museu Ferroviário, que depois tem um grafite lindo do Anderson Alemão, nós fomos numa fábrica de picolé de frutas tropicais, pra quem é do hemisfério norte, isso é incrível!

A gente foi na Chácara Bela Vista, que é uma chácara que vende plantas brasileiras, nós fomos à biblioteca, daí nós fomos no museu de Assis que é a primeira casa de Assis, casa mais velha de Assis, casa de taipa. Nós fomos no Buracão, que é um parque, onde as pessoas caminham no centro da cidade, era uma erosão, fizeram o reflorestamento e transformaram num parque para o pessoal ter o lazer. Eles falaram que foi o melhor sábado. nós começamos às oito horas da manhã e terminamos às quatro horas da tarde e todo mundo apertado no carro, minha filha no chiqueirinho no carro, porque não cabia, um monte de adolescentes e eles achando o máximo! O mínimo, dentro da cidade. Proporcionar isso é mágico e a minha filha falou assim: “É isso que eu quero fazer fora, eu quero ter essa experiência de ser intercambiária em outro lugar”, falei: “Que legal. Tá bom”.

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